A Democracia S.A. – O Grande Balcão de Negócios da Política
Se você ainda acredita que a política brasileira é decidida apenas nas urnas, talvez também acredite em Papai Noel, Coelho da Páscoa e que promessa de campanha vem com garantia de fábrica.
O eleitor acompanha meses de pesquisas, debates e discursos. Aí, de repente, o candidato que liderava desaparece. Não perdeu voto, não desistiu da vida pública... apenas entrou na liquidação dos bastidores. É a famosa promoção: "Troco uma candidatura por alguns apoios. Aceito cargos como parte do pagamento."
Parece que a democracia ganhou um novo departamento: o balcão de negócios. Ali, princípios são negociáveis, ideologias têm prazo de validade e convicções cabem em qualquer coligação... desde que o preço seja interessante.
O mais curioso é que dizem que o povo escolhe. Escolhe? Na verdade, muitas vezes o eleitor recebe um cardápio que já veio pronto da cozinha dos caciques políticos. O cliente acha que está no restaurante, mas quem montou o prato foi o chef dos acordos.
A política virou um teatro. O problema não é existirem atores; é que o roteiro parece ser escrito pelos patrocinadores, enquanto o povo paga o ingresso, compra a pipoca e ainda sai no final achando que participou da produção.
Chegou a hora de uma verdadeira reforma política. Todo partido deveria lançar candidatos em todas as esferas, permitindo que a população faça a escolha livremente, sem que meia dúzia decida, em salas fechadas, quem pode ou não disputar.
Democracia de verdade não combina com balcão de negócios. O voto pertence ao povo, e a decisão sobre quem concorre também deveria pertencer a ele.
Porque, do jeito que está, às vezes parece que a eleição é apenas o último capítulo de uma novela cujo final já foi negociado nos bastidores. E o eleitor? Ah... esse continua sendo o protagonista apenas na propaganda eleitoral. Depois dos créditos, volta a ser figurante.
Att, Marco Aurélio
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