Saúde em Pinhais entra em colapso de confiança e gestão é colocada em xeque.
Pinhais (PR) – A saúde pública de Pinhais vive um momento que ultrapassa reclamações isoladas. O que se observa é um cenário de desgaste contínuo, marcado por filas demoradas, atendimento lento, dificuldades em especialidades e uma sequência de relatos preocupantes nas redes sociais.
A situação se tornou ainda mais grave diante de registros recentes de óbitos e, agora, da comoção envolvendo a morte de duas crianças no novo hospital do município. Um episódio que não apenas entristece, mas revolta e exige respostas objetivas.
Quando vidas se perdem, não há espaço para justificativas técnicas frias ou discursos burocráticos.
A pergunta que cresce entre moradores é inevitável: houve falha na gestão?
Há anos a Secretaria de Saúde é comandada por uma profissional com formação principal em Contabilidade. Uma escolha que pode ter lógica sob o ponto de vista financeiro e administrativo. Mas diante das falhas recorrentes e do aumento da insatisfação popular, o modelo passa a ser questionado.
Saúde não é apenas planilha, orçamento e controle fiscal.
Saúde é liderança técnica, decisão rápida, aplicação correta de protocolos, preparo da equipe e sensibilidade diante da urgência.
O município construiu um hospital novo. Investiu em estrutura. Mas estrutura, por si só, não garante eficiência. Prédio moderno não substitui comando técnico qualificado. Equipamento novo não compensa falhas operacionais.
E a população começa a se perguntar:
Será que um profissional com formação em Medicina não teria mais sensibilidade na hora de identificar falhas, propor melhorias e apresentar soluções concretas para a cidade?
Será que alguém com vivência prática na linha de frente, conhecendo a rotina de um hospital, as emergências e a pressão do atendimento diário, não teria uma percepção mais imediata dos gargalos do sistema?
Não se trata de desmerecer a importância da gestão financeira — ela é essencial. Mas quando os problemas se acumulam, quando as reclamações se tornam constantes e quando episódios graves acontecem, é legítimo questionar se o perfil escolhido para liderar a saúde municipal é o mais adequado para o momento.
Governar a saúde exige mais do que equilíbrio contábil.
Exige conhecimento técnico assistencial.
Exige comando firme.
Exige responsabilidade diante da vida.
O momento exige transparência, revisão de processos e, se necessário, mudanças estruturais profundas. Porque quando o sistema falha, quem sofre é o cidadão. E, em situações extremas, famílias pagam um preço irreparável.
A saúde de Pinhais precisa de respostas — e de decisões à altura da gravidade do momento.
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