Perder para a Noruega no futebol faz parte. O problema é que faz tempo que a gente está perdendo um campeonato muito mais importante.
A Noruega tem pouco mais de 5 milhões de habitantes. O Brasil tem mais de 200 milhões, um território gigantesco, petróleo, água, minérios, agronegócio, sol, chuva... praticamente um "kit completo" que qualquer país gostaria de ter.
Mesmo assim... eles administraram o petróleo tão bem que criaram um fundo soberano que hoje representa cerca de US$ 350 mil a US$ 400 mil por cidadão. Aqui, quando aparece uma riqueza, a torcida já fica rezando para ela não virar mais um escândalo.
Depois do 7 a 1 disseram que o Brasil tinha aprendido. Que seria o início de uma revolução no futebol, na gestão e no planejamento.
Spoiler: não era o último episódio da série... era só mais uma temporada.
Continuamos especialistas em "gestão bombeiro": deixa pegar fogo primeiro, depois corre atrás da mangueira. Planejamento de longo prazo? Só se for para a Copa de 2050.
A verdade é que não falta talento ao brasileiro. Falta um país que trate o talento com respeito.
A derrota para a Noruega não é só um resultado esportivo. É um lembrete incômodo de que estamos perdendo há anos em educação, gestão, eficiência e visão de futuro.
E antes que alguém diga "mas o Brasil é diferente", eu concordo.
É difícil encontrar outro país tão rico que consiga desperdiçar tantas oportunidades com tanta criatividade.
Talvez esteja na hora de parar de dizer que somos "o país do futuro". Porque, desse jeito, o futuro já chegou em vários lugares... e o Brasil continua pedindo mais cinco minutinhos ....